Tive o privilégio de ontem assistir ao concerto de Mr. Anka no Casino do Estoril. E mais, de o cumprimetar no back-stage. O homem é GRANDE, é um SENHOR, daqueles que já não se fabricam hoje em dia. Aos seus 66 anos, magro e enxuto, de baixa estatura, Anka transforma-se em cima do palco - o que mais me impressionou foi a sua linguagem corporal. A elegância, o ritmo, a beleza dos movimentos e dos gestos. Para além de tudo o resto: a excelente produção, a orquestra, o contacto e, a voz, claro, que ainda tem muitos anos para nos dar.
Um dos últimos crooners vivos. Ainda bem que fui. Ainda bem que disse que sim ao convite. Ainda bem que estive lá.
De regresso a Lisboa, optei pela velha estrada Marginal, e durante todo o percurso (talvez 40 minutos ?) ouvi repetidamente a faixa 1 do mais recente trabalho de uma senhora da soul chamada Candi Staton. O disco chama-se «His Hands», e o tema em questão «You Don't Have Far To Go». Pode não ser uma grande canção, podemos dizer até que nada traz de novo, mas interpretação é feita com grande alma - é essa a base da música soul. E de toda a música.
Enfim, uma noite plena - pena é, que todos os dias, todos os momentos, não sejam assim. Mas, regressando a Teixeira de Pascoaes «a banalidade é uma obra terrível dos nossos olhos».
As saudades não te impedem de voar
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Companhia Nem Marias Nem Manéis em parceria com Associação Hirundo
Fotografia de cena: Cristina Vicente
Há 2 dias

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